Diferenças entre Fé, Religião e Igreja.
O filme Contato (1997), baseado no livro de Carl Sagan, narra a história de Ellie, uma cientista dedicada à busca por vida inteligente fora da Terra.
Nesta versão síncope e escrita de forma adaptada, acompanharemos a jornada de dois personagens fictícios: o agora professor, Wagner Quaresma, um ex-padre em crise espiritual, e Sandra, uma cientista cética que acredita apenas no que pode ser provado. Eles se envolvem na descoberta de uma mensagem vinda do espaço, que desafia o modo de pensar de ambos.
Wagner Quaresma, após anos de serviço na Igreja, afasta-se da instituição por perceber contradições entre os dogmas religiosos e as perguntas sem respostas sobre o Universo.
Em sua caminhada fora da batina, o professor Quaresma conhece Sandra, uma astrofísica que trabalha com sinais captados do espaço. Ela é direta e racional: só acredita no que vê, no que se pode medir ou demonstrar.
Quando Sandra intercepta um sinal codificado vindo da estrela Vega, o Mundo entra em comoção. A mensagem traz instruções para construir uma máquina.
Possivelmente, tais códigos contidos no sinal seriam um meio de comunicação com seres extraterrestres. Professor Quaresma enxerga nessa descoberta um possível sinal Divino. Para ele, não importa se são alienígenas ou anjos — a existência de algo maior já é, por si só, uma prova de fé.
Sandra, no entanto, resiste à ideia de significados espirituais. Ela quer entender a mecânica, os dados, os cálculos. Para ela, a fé é uma ilusão.
Professor Quaresma tenta mostrar que fé não é o mesmo que Religião ou Igreja. Ele explica que fé é uma força interior que nos impulsiona a seguir, mesmo sem provas. Já a Religião é o sistema que organiza essa fé, enquanto a Igreja é apenas uma instituição feita por homens, com suas falhas.
A construção da máquina gera debates globais: uns veem nela uma ameaça; outros, um milagre. Professor Quaresma acompanha de perto cada passo, curioso e esperançoso. Ele percebe que a ciência, quando humilde, também é uma forma de buscar o sagrado. E, apesar das críticas, Sandra começa a se perguntar se talvez haja algo além do visível.
Quando a máquina é ativada, Sandra é enviada em uma jornada misteriosa. Ela retorna dizendo ter feito contato com uma inteligência superior, mas não há prova física disso. Os cientistas, é claro, duvidam. Professor Quaresma, por outro lado, reconhece que a experiência dela exige fé — a mesma fé que ele aprendeu a valorizar além dos muros da Igreja.
Sandra enfrenta um dilema: ela entrou na máquina e sumiu por minutos que, para ela, duraram horas. Os dados são inconclusivos, mas algo em seu íntimo a faz reconsiderar sua rigidez. Ela percebe que nem tudo o que é real pode ser explicado com fórmulas. Começa então a enxergar a ciência como uma irmã da fé — ambas buscando sentido no Universo.
O professor Quaresma, ao ver Sandra em dúvida, se emociona. Ele entende que não é preciso abandonar a razão para ter fé. A verdadeira espiritualidade não depende de ritos ou dogmas, mas de abertura ao mistério. Ele deixa claro que a Igreja falha quando tenta controlar a fé em vez de nutri-la. E a ciência falha quando ignora o invisível por arrogância.
Ao fim, o professor Quaresma e Sandra encontram paz. Ele não voltou à Igreja, mas encontrou um novo tipo de fé — uma que respeita a dúvida, a busca, o desconhecido. Ela, por sua vez, não se converte, mas passa a caminhar com mais humildade diante das perguntas sem respostas. Eles reconhecem que ciência e fé, embora diferentes, podem andar juntas.
O filme Contato, como aqui se percebe, não tenta provar quem está certo, mas convida o espectador a refletir. A Fé é inabalável e não precisa de Templos, a Religião não deve ser prisão, e a Ciência pode ser uma ponte.
O professor Quaresma e Sandra tentaram, nessa adaptação literária, mostrar que verdadeiros avanços acontecem quando há diálogo entre Razão e Espírito, entre Céu e Terra.